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Dia Mundial de Combate à Malária

Assinala-se este domingo [25.04.2021], o Dia Mundial de Combate à Malária, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2007, com o propósito de reconhecer o esforço global para o controlo efectivo da malária, uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo microrganismo Plasmodium.

A data representa uma oportunidade para reiterar o apelo aos Estados sobre a necessidade de uma acção urgente para que a resposta global à malária seja retomada, principalmente nos países mais afectados pela doença e onde é necessário manter o seu combate no topo da agenda política e mobilizar recursos para capacitar as comunidades de modo a serem capazes de assumir a sua prevenção e tratamento.

Dados da OMS indicam que quase 85% das mortes globais por malária em 2018 concentraram-se em 20 países na Região Africana e na Índia. A Nigéria foi responsável por quase 24% de todas as mortes globais por malária, seguida pela República Democrática do Congo (11%), a República Unida da Tanzânia (5%) e Angola (4%), tal como Moçambique e Níger.

Em 2019, a malária matou 409 mil pessoas, das quais 384 mil apenas em África, de acordo com a OMS. O relatório realça o retrocesso da incidência da malária no mundo nos últimos 20 anos, especialmente em África, mas assinala que o progresso alcançado refreou nos últimos cinco anos. Espera-se que este cenário pessimista persista, de forma acentuada, em 2020.

Segundo o Relatório Anual do Programa Global Contra a Malária da OMS, divulgado em 2020, poderá haver entre 19 mil e 100 mil mortes adicionais causadas pela malária. Isto se deve ao facto de a pandemia da Covid-19 ter interrompido entre 10% e 50% dos tratamentos daquela doença, cujos sintomas costumam a passar por calafrios, febre alta, dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios, entre outros.

Quando à infecção por Plasmodium falciparum, há a possiblidade de se desenvolver malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos de morte, o que pode ser evitado com algumas medidas de prevenção, como o uso de mosquiteiros impregnados, inseticidas, repelentes. Apesar disso, a eficácia de tais medidas depende da prevenção colectiva, que passa, entre outras, pela eliminação de águas paradas, saneamento, aterro, limpeza e controlo da vegetação aquática.

De acordo com a OMS em 20 anos conseguiu-se passar de 24,7 para 10,1 mortes por 100 mil habitantes, um decréscimo de 60%, mas nos últimos cinco anos a taxa conteve-se nos 15%”, como resultado de medidas de prevenção. Ao longo de 20 anos foram distribuídos mais de 2,5 mil milhões de mosquiteiros e 21 milhões de crianças receberam ajuda para prevenir a doença.

Matshidiso Moeti, Directora regional da OMS para África alerta, contudo, que se o rumo actual for mantido, “falharemos os objectivos globais para 2030”. A OMS alerta para o insuficiente financiamento dos programas de luta contra a malária, um problema anterior à pandemia da Covid-19. No ano passado, foram recolhidos apenas 2.500 dos 4.600 milhões de euros previstos para esta causa.

A malária continua a ser a doença que mais mortes causa em Angola. Para tal, o Ministério da Saúde desenvolveu um programa multissectorial para o controlo da malária com vários eixos de intervenção, que incluem a “vigilância epidemiológica; controlo vectorial laboratorial e ambiental; gestão de casos e melhoria do diagnóstico e tratamento; comunicação e mobilização; e coordenação logística, monitorização e avaliação, que se repercutirá na melhoria da condição de vida dos cidadãos”.

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