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Dia de África

Assinala-se esta terça-feira [25.05.2021] o 58º aniversário do “Dia de África”, comemoração anual da data de fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), actual União Africana (UA).

O continente africano ou «berço da humanidade» é por muitos considerado a «terra do futuro» pelos recursos naturais, terras “raras” e aráveis que possui, bem como pela população jovem, factor decisivo para o dividendo demográfico, que deve ser visto com redobrada atenção pelas lideranças africanas.

A efeméride sugere reflexão para a direcção em que o continente deve ir sem esquecer o passado e guiar-se através do presente para redefinir o futuro. Enquanto isso, África enfrenta problemas que só poderão ser vencidos se forem traçadas e implementadas políticas públicas destinadas a resolver problemas-chave na saúde, educação, previdência social, electrificação, industrialização e tecnologia.

Caso contrário, os jovens africanos continuarão a lançar-se para a morte no mediterrâneo em busca de melhores condições de vida na Europa e o problema da fuga de cérebros continuará a ocorrer.

África é o berço da humanidade, mas as incertezas sobre o seu futuro adensam-se quando a pobreza extrema continua a ganhar espaço e faltam políticas públicas eficazes para erradicar a insegurança, o subdesenvolvimento, a corrupção e a instabilidade política.

As regiões de Tigray (Etiópia), Cabo Delgado, (Moçambique) e Sahel ( Tchad e República Centro Africana), só para citar algumas, são actualmente afectadas por um turbilhão de instabilidade que ameaça à vida de milhares de pessoas, adia o seu futuro e retarda o desenvolvimento económico.

Não obstante os cenários de incerteza, o continente africano tem despertado o interesse de potencias mundiais, cujo manifesto objectivo de fortalecimento da cooperação tem sido o móbil das várias cimeiras até aqui realizadas, com destaque para o primeiro Fórum de Cooperação China-África em Pequim, em 2006, e na África do Sul, em 2015, só para citar estes.

Década a década, desde os anos 50 do século XX, África e União Europeia têm vindo a realizar cimeiras para estreitar laços e fortalecer a cooperação.

Na busca de uma parceria privilegiada com África, a Rússia tem se destacado também. Após a primeira cimeira em Sochi, em 2019, o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a segunda cimeira Rússia-África para 2022.

Este ano, realizou-se dia 18 do corrente, em Paris, Cimeira França-África, reuniu mais de 20 líderes africanos e europeus, bem como responsáveis do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Africana (UA).

O objectivo passa por conseguir que as nações ricas aloquem aos países africanos 100 mil milhões de dólares em Direitos Especiais de Saque do FMI até Outubro.

As lideranças africanas também lançaram um repto para o perdão das dívidas, considerando ser praticamente impossível atender o serviço da dívida num quadro de pandemia mundial e de carências locais.

O 1º Congresso dos Estados Africanos Independentes realizou-se em Acra, no Gana, a 15 de Abril de 1958. Foi convocado pelo então Primeiro-Ministro do Gana, Kwame Nkrumah, sendo composto por representantes do Egipto, então parte integrante da República Árabe Unida, Etiópia, Gana, Libéria, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia e a União Popular dos Camarões.

A conferência criou a base para as reuniões subsequentes de chefes de estado e de governo africanos, na era do Grupo de Casablanca e do Grupo de Monróvia, até à formação da OUA em 1963. Porém, em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana e a celebração, rebaptizada como Dia de África continuou a ser comemorada a 25 de Maio, por respeito à criação da OUA.

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